"Rô, eu te amo.
Quero gritar isso pra você u.u
E depois sussurrar o mesmo, e pedir desculpas pelo escândalo mas dizer que eu precisava mesmo era gritar aquilo."
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Sobre perguntas cruéis.
Sabe, estou ficando saturada com esse incrível costume que as pessoas têm de achar que qualquer coisa dita dá a elas o direito de emitir opinião.
Saliento que não sou contra – nem teria como ser – o fato delas terem opinião. Até aí ok, ótimo, pensem o que quiserem. Mas por favor, parem de dar essa opinião, ainda mais se ela for cruel, mesquinha, ou se ela não for agregar em nada.
Conheci meu namorado num domingo, na sexta-feira da mesma semana nós já estávamos namorando. Sim, foram “apenas” 5 dias até começarmos a namorar. Isso já foi motivo suficiente para eu ter que ouvir muita gente, mas muita gente mesmo, perguntando “pra quê a pressa?”, “mas já?”, “mas vocês nem se conhecem direito”, e mais um monte de comentário que eu ouvi, dei um sorrisinho e segurei o palavrão. Uma semana e meia de namoro depois, teve gente me perguntando “vocês já disseram ‘eu te amo’ um pro outro?”. Sim, me fizeram essa pergunta. E sinceramente? A vontade que eu tive foi de responder: “mas se você diz que ama esse namorado encostado e grosseiro que tem, porque eu não posso dizer que amo um cara legal?”. Pensem na crueldade da pergunta. Somos duas pessoas nos relacionando. Se eu sentir que o amo, vou dizer isso com dois dias de relacionamento, com um ano, com 50 anos. E se eu não sentir que o amo, se eu estiver magoada, se eu estiver, sei lá, apática, se eu sentir que ele me agrada, mas que isso não é amor, não vou dizer que o amo e pronto. Nada que sentimos é precipitado ou atrasado. É o que sentimos naquele momento.
Agora o namorado está se preparando para ir viajar. Vai passar uns meses nazeuropa, aí o povo vem de novo dar pitaco: “mas vai dar certo esse namoro longe?”, “mas ele não vai aprontar lá?”, “mas vocês têm só 2 ou 3 meses de namoro! Não é perigoso para a relação?”. Tá, então se ele ficasse por aqui era certeza que ia dar certo? Era certeza que ele não ia aprontar (seja lá o que isso quer dizer)? Se ele ficasse aqui, seria completamente estável pra relação? Novamente, são pessoas se relacionando. Ninguém discutiu comigo e com ele as “regras” do relacionamento. Ninguém sabe meus limites, ou os dele. Ninguém tá pagando a viagem dele, nem o meu aluguel aqui, o que não dá o direito de ninguém duvidar de nada! Poxa, se põe no nosso lugar: começo de namoro, a gente tá sentindo muito em se separar assim, mesmo que por uns meses, porque a gente quer ficar junto! O emocional pega! Mas a gente também sabe que perder uma oportunidade dessas por um namoro que (Deus me livre!) pode não vingar, é muita burrice. A viagem é interessante para o futuro dele enquanto profissional, e também para o meu futuro, já que vai me deixar com mais tempo pra fazer uns cursos que quero, mas que estou protelando pra ficar mais juntinho neste tempo antes da viagem. Sem contar toda a agregação de cultura, de conhecimento que acaba sendo imensa para o casal!
Sabe aqueles papos sobre casar e ter casa e filhos e afins? Então, essa é mais uma coisa que surpreendentemente combinamos. Ambos entendemos que namoro não é só pra passar tempo, e que é o início de uma construção. Ambos queremos ter bastantes crianças. Ambos gostamos de lugar grande, com verde, com espaço para ter cachorro e horta, com espaço para ter 5 filhos. Aí vieram os comentários: “mas porque tanta criança?”, “mas vocês querem mesmo morar em área afastada?”, “mas sabe que é perigoso?”, “mas vocês entendem o gasto?”, “mas vocês não acham que é ruim para o trabalho da Rô, ou longe do trabalho do Dan?”. Não gente, a gente não acha nada disso. É só o que a gente idealiza. Não significa em momento algum que já tenhamos comprado a casa e tido os filhos e tudo aquilo. É o que esperamos conseguir, é o que talvez nem dê certo. E sinceramente? Em momento algum eu vou dizer que “por que mesmo vocês não vão ter filhos?”, “por que mesmo vocês vão morar em apartamento? Olha, deixa o cachorro irritado!”, e eu não vou dizer essas coisas por um motivo simples: EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO.
Entendam agora, por favor, que vocês também não tem nada a ver com as minhas decisões como pessoa, ou com as nossas decisões como casal. Se quisermos algum conselho, seja ele qual for, nós vamos até vocês, vamos conversar, vamos pedir ajuda. Nós entendemos também que não somos uma ilha, e queremos sim, muita gente legal ajudando na construção dessa vida que estamos tentando ter. E é por isso que eu peço encarecidamente: parem de dar pitaco, parem de dar sugestões, parem de fazer perguntas cruéis! Queremos gente sincera do nosso lado, queremos gente pra frente, gente que não vê como problemáticas as nossas decisões, gente que entenda que sim, somos todos diferentes. Queremos gente que ache saída pros problemas que temos (“ah, ele vai viajar? Tranquilo! Falem por skype! Ahah”), não que criem problemas inexistentes.
Lindos, esse é um puxão de orelha só pra dizer que queremos, enfim, a ajuda de vocês, o carinho, a compreensão. E, assim que pedirmos, os conselhos e as broncas também serão muito bem vindas!
P.s.: O Dan concorda com tudo o que foi dito, e não, não são só as minhas palavras, e não eu não usei meu jeitinho difícil para fazer com que ele concordasse e não ele não me obrigou a escrever nada. Obrigada, de nada.
Saliento que não sou contra – nem teria como ser – o fato delas terem opinião. Até aí ok, ótimo, pensem o que quiserem. Mas por favor, parem de dar essa opinião, ainda mais se ela for cruel, mesquinha, ou se ela não for agregar em nada.
Conheci meu namorado num domingo, na sexta-feira da mesma semana nós já estávamos namorando. Sim, foram “apenas” 5 dias até começarmos a namorar. Isso já foi motivo suficiente para eu ter que ouvir muita gente, mas muita gente mesmo, perguntando “pra quê a pressa?”, “mas já?”, “mas vocês nem se conhecem direito”, e mais um monte de comentário que eu ouvi, dei um sorrisinho e segurei o palavrão. Uma semana e meia de namoro depois, teve gente me perguntando “vocês já disseram ‘eu te amo’ um pro outro?”. Sim, me fizeram essa pergunta. E sinceramente? A vontade que eu tive foi de responder: “mas se você diz que ama esse namorado encostado e grosseiro que tem, porque eu não posso dizer que amo um cara legal?”. Pensem na crueldade da pergunta. Somos duas pessoas nos relacionando. Se eu sentir que o amo, vou dizer isso com dois dias de relacionamento, com um ano, com 50 anos. E se eu não sentir que o amo, se eu estiver magoada, se eu estiver, sei lá, apática, se eu sentir que ele me agrada, mas que isso não é amor, não vou dizer que o amo e pronto. Nada que sentimos é precipitado ou atrasado. É o que sentimos naquele momento.
Agora o namorado está se preparando para ir viajar. Vai passar uns meses nazeuropa, aí o povo vem de novo dar pitaco: “mas vai dar certo esse namoro longe?”, “mas ele não vai aprontar lá?”, “mas vocês têm só 2 ou 3 meses de namoro! Não é perigoso para a relação?”. Tá, então se ele ficasse por aqui era certeza que ia dar certo? Era certeza que ele não ia aprontar (seja lá o que isso quer dizer)? Se ele ficasse aqui, seria completamente estável pra relação? Novamente, são pessoas se relacionando. Ninguém discutiu comigo e com ele as “regras” do relacionamento. Ninguém sabe meus limites, ou os dele. Ninguém tá pagando a viagem dele, nem o meu aluguel aqui, o que não dá o direito de ninguém duvidar de nada! Poxa, se põe no nosso lugar: começo de namoro, a gente tá sentindo muito em se separar assim, mesmo que por uns meses, porque a gente quer ficar junto! O emocional pega! Mas a gente também sabe que perder uma oportunidade dessas por um namoro que (Deus me livre!) pode não vingar, é muita burrice. A viagem é interessante para o futuro dele enquanto profissional, e também para o meu futuro, já que vai me deixar com mais tempo pra fazer uns cursos que quero, mas que estou protelando pra ficar mais juntinho neste tempo antes da viagem. Sem contar toda a agregação de cultura, de conhecimento que acaba sendo imensa para o casal!
Sabe aqueles papos sobre casar e ter casa e filhos e afins? Então, essa é mais uma coisa que surpreendentemente combinamos. Ambos entendemos que namoro não é só pra passar tempo, e que é o início de uma construção. Ambos queremos ter bastantes crianças. Ambos gostamos de lugar grande, com verde, com espaço para ter cachorro e horta, com espaço para ter 5 filhos. Aí vieram os comentários: “mas porque tanta criança?”, “mas vocês querem mesmo morar em área afastada?”, “mas sabe que é perigoso?”, “mas vocês entendem o gasto?”, “mas vocês não acham que é ruim para o trabalho da Rô, ou longe do trabalho do Dan?”. Não gente, a gente não acha nada disso. É só o que a gente idealiza. Não significa em momento algum que já tenhamos comprado a casa e tido os filhos e tudo aquilo. É o que esperamos conseguir, é o que talvez nem dê certo. E sinceramente? Em momento algum eu vou dizer que “por que mesmo vocês não vão ter filhos?”, “por que mesmo vocês vão morar em apartamento? Olha, deixa o cachorro irritado!”, e eu não vou dizer essas coisas por um motivo simples: EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO.
Entendam agora, por favor, que vocês também não tem nada a ver com as minhas decisões como pessoa, ou com as nossas decisões como casal. Se quisermos algum conselho, seja ele qual for, nós vamos até vocês, vamos conversar, vamos pedir ajuda. Nós entendemos também que não somos uma ilha, e queremos sim, muita gente legal ajudando na construção dessa vida que estamos tentando ter. E é por isso que eu peço encarecidamente: parem de dar pitaco, parem de dar sugestões, parem de fazer perguntas cruéis! Queremos gente sincera do nosso lado, queremos gente pra frente, gente que não vê como problemáticas as nossas decisões, gente que entenda que sim, somos todos diferentes. Queremos gente que ache saída pros problemas que temos (“ah, ele vai viajar? Tranquilo! Falem por skype! Ahah”), não que criem problemas inexistentes.
Lindos, esse é um puxão de orelha só pra dizer que queremos, enfim, a ajuda de vocês, o carinho, a compreensão. E, assim que pedirmos, os conselhos e as broncas também serão muito bem vindas!
P.s.: O Dan concorda com tudo o que foi dito, e não, não são só as minhas palavras, e não eu não usei meu jeitinho difícil para fazer com que ele concordasse e não ele não me obrigou a escrever nada. Obrigada, de nada.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
.Sobre pedras.
Ando aprendendo muito sobre pedras. Pedras preciosas, pedras semipreciosas, pedras de construção...
Para mim, as pedras mais preciosas são as pedras lisas, de fundo de rio. As marrons e as brancas, de preferência.
Elas não têm muito valor comercial, é verdade. Mas as vejo como se fossem a coisa mais incrível do mundo. Têm falhas, não brilham, não enquadram num anel de ouro ou num colar. Têm cara daquilo ali mesmo, de pedra de jardim, de pedra de vaso, de pedra não polida. Têm cara de pedra que não vão quebrar, que vão estar ali, sempre fortes, sempre segurando as barras.
Pedras têm muito a ensinar pra gente. Até as preciosas. Até as que a gente não entende direito como surgiram, com aquela cor tão bonita e tão diferente, ou com cores misturadas.
Aprendi que têm pedras que quando programadas nos curam.Aí você precisa conversar com a pedra. Pedir que ela te entenda. São aquelas pedras que devem andar no nosso bolso, ou na nossa mão, para nos proteger de todo o mal, amém.
Se eu pudesse escolher ser uma pedra, seria um olho de tigre. Aí eu seria marrom, tarjado de dourado. E isso seria perfeito, já que me daria o dom de ser uma pedra mais rústica, e ainda assim bonita aos olhos da sociedade. Hoje eu sou uma pedra dessas de rio. Dessas escorregadias. Dessas que fazem a gente cair. Dessas que têm bastante valor pra quem descoleciona a vida. Pra quem sabe que das verdades do mundo, pedras brutas de rio podem ser mais intrigantes e instigantes que diamantes lapidados.
Para mim, as pedras mais preciosas são as pedras lisas, de fundo de rio. As marrons e as brancas, de preferência.
Elas não têm muito valor comercial, é verdade. Mas as vejo como se fossem a coisa mais incrível do mundo. Têm falhas, não brilham, não enquadram num anel de ouro ou num colar. Têm cara daquilo ali mesmo, de pedra de jardim, de pedra de vaso, de pedra não polida. Têm cara de pedra que não vão quebrar, que vão estar ali, sempre fortes, sempre segurando as barras.
Pedras têm muito a ensinar pra gente. Até as preciosas. Até as que a gente não entende direito como surgiram, com aquela cor tão bonita e tão diferente, ou com cores misturadas.
Aprendi que têm pedras que quando programadas nos curam.Aí você precisa conversar com a pedra. Pedir que ela te entenda. São aquelas pedras que devem andar no nosso bolso, ou na nossa mão, para nos proteger de todo o mal, amém.
Se eu pudesse escolher ser uma pedra, seria um olho de tigre. Aí eu seria marrom, tarjado de dourado. E isso seria perfeito, já que me daria o dom de ser uma pedra mais rústica, e ainda assim bonita aos olhos da sociedade. Hoje eu sou uma pedra dessas de rio. Dessas escorregadias. Dessas que fazem a gente cair. Dessas que têm bastante valor pra quem descoleciona a vida. Pra quem sabe que das verdades do mundo, pedras brutas de rio podem ser mais intrigantes e instigantes que diamantes lapidados.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Galera que Fortalece
Acabei de chegar em casa. Tô molhada, tô eufórica. Tô cansada e com frio. Mas acima de qualquer coisa, estou feliz.
Hoje eu posso dizer que agreguei. Agreguei coisas na minha vida, e coisas na vida de um monte de gente. Tá um frio gigantesco em Curitiba, saí de casa com 5° na rua. Mas eu tenho casa. Eu tenho coberta quentinha, eu tenho chuveiro quentinho, eu tenho Toddy quentinho. À tarde fizeram uma campanha no facebook pedindo cobertores e agasalhos pra distribuir para a população em situação de rua. Eu já havia me desfeito de roupas no começo do inverno, e só me sobrava um cobertor em casa. Olhei as gavetas e percebi que também tinha um tênis que estava sem usar. Feito: coloquei numa sacola e levei pra praça Tiradentes, um dos locais onde a quantidade de drogados e mendigos é grande.
Cheguei e tinha uma galera lá, agregando. Recebendo, entregando e separando roupas - roupas boas, de marca, de grife, de corte bonito - para entregar para quem precisava. Deixei a sacola e fui ajudar a galera com a entrega das coisas. Logo começaram a chegar os 'dingos, e de início eu estava tranquila, mas logo chegaram muitos, e fiquei com medo de que furtassem meu celular, de que pegassem algo, sei lá (até porquê, alguns eram drogados, e estavam mais agressivos).
Depois de uns 15 minutos, tomei vergonha na cara, engoli meu preconceito, e me deixei levar. Fazia uma piada com quase todo mundo que vinha falar comigo, chamava de "gato" e "gata" os 'dingos que vinha dizer "moça, na humildade, tem uma brusa quente, uma jaqueta? é pa mim, é pa minha esposa também" (adendo: eles dizem "esposa" mesmo. achei uma graça). Aí eu já perguntava se queria uma calça, se tinha uma meia, se tinha onde dormir, e quando eles me ouviam, dizia pra eles irem dormir no abrigo, principalmente amanhã, já que a máxima prevista é 4°. Uns riam, outros diziam que nem sabiam que existia lugar pra dormir.
O que me chamou bastante atenção, é que na maioria, eles falavam muito baixo, como se tivessem vergonha de falar com qualquer um de nós ali, e chegavam fazendo cara de desespero, pedindo "na humildade". Olha que tapa nessa minha cara soberba... Nós, nós com acesso à internet, nós com cama quente, nós com faculdade, nós não chegamos "na humildade". Nós chegamos em qualquer lugar com a sensação do Rei na Barriga, com a ideia de superioridade, com essa droga de Ego subindo em cima de qualquer um. E o pessoal em situação de rua ali, ensinando que é "na humildade" que a gente consegue as coisas. Seja um cobertor, seja um sorriso, seja um chazinho. Ah, quero contar que quando eles falavam muito baixo, ou com muita vergonha, eu fazia logo uma piada, gesticulava largo, dançava, só pra eles rirem e perceberem que não precisa ficar implorando por algo que é direito deles. Ah, o que é direito? Isso que a gente ignora. Direito de comer, direito de vestir roupa boa. Em momento algum nós devemos nos colocar em um patamar acima deles, e o motivo é simples: Eles somos nós. Conceito difícil, eu sei, mas verdadeiro. Eles são o que a gente é. A gente sente fome, a gente sente frio, a gente sente medo de gente "maior" que a gente.
Um dos moradores em situação de rua veio conversar comigo, pedindo um sapato quente pra que ele pudesse trabalhar, sim, porque ele trabalhava. Me mostrou o cartão-ponto dele, de "segurança" de estações Tubo. Me explicou que ele está na rua por um tempo, mas que assim que der, aluga um quarto, porque agora tem salário. Essa conversa me deixou tão satisfeita! Essa conversa me mostrou que tem gente que tá na rua pela malandragem, pelos vícios, mas que também tem gente que tá na rua porque a vida deu uma invertida. Acontece com todos nós.
A galera que tava fortalecendo a entrega das roupas e cobertores parecia realmente uma grande família. Sabe aquelas festas e aniversário da avó que a gente vê os primos distantes e de repente agrega todo mundo, pra não ficar ninguém sozinho, pra ajudar a arrumar tudo? Então, me senti assim. Pessoalmente não conhecia ninguém - ninguém mesmo - que estava lá; vi o evento no face e fui, bem linda. Logo todo mundo já era meu amigo de infância, e logo todos se ajudavam, pra gente poder agregar aos que estavam ganhando os presentes.
A sensação é boa, a sensação é de ter crescido muito essa noite. Estou grata, extremamente grata por ter tido coragem de sair da minha zona de conforto e ter ido tomar chuva, sentir medo, sentir alegria, sentir o carinho todo que senti na rua hoje.
Nota: Não sei se perceberam, mas em momento algum eu disse que eu fiz uma doação, ou que ajudei os cidadãos em situação de rua. E não disse isso porque não me senti ajudando os cidadãos de rua, nem doando nada. Não me sinto fazendo caridade, nem comprando minha vaguinha no céu. Me sinto humana. Humanizada. Repartir o que eu tinha (nesse caso, era somente meu tempo) com um igual foi tão completo. Ver a moça que saiu toda feliz porque tinha bota combinando com o casaco, e com o cachecol, e com a blusa, foi como se eu tivesse presenteado minha própria irmã (alguém que amo muito). Foi tão importante esse momento, que reiterei minha vontade de trabalhar agregando com as pessoas. Sim, porque quando a gente vai pra rua, pra um abrigo, a gente não ajuda (afinal, quem somos nós pra ajudar? por favor), a gente agrega. Agrega ideia, agrega sentimento, agrega comportamento, agrega experiência. Boçal demais pensar que ajudei alguém só porque dei roupa e comida. Boçal demais. Mas posso dizer, sem dúvidas, que fui ajudada. Fui ajudada a encontrar o que me deixa mais feliz, fui ajudada a gastar meu tempo com algo a mais do que livros ou internet. Ganhei mais do que eles, na verdade.
P.s.: Desculpa se as ideias estão emboladas, ou se algo realmente não fez sentido, mas preferi escrever sem pensar muito, aí quem sabe vocês sintam como eu me sinto. E no mais, coragem, porque sair da zona de conforto dói, mas é incrível.
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